Por Vinícius Sobreira (Brasil de Fato
Pernambuco)
complemento Raimundo Bertino (Pajeú de Notícias)
No último dia 18 de dezembro 41 jovens rurais se formaram no
curso de Residência Agrária em Pernambuco, entre esses jovens estão duas jovens do município de Flores Uliane Silva de Poço Grande e Rafaela Borges de Matalotagem. As agricultoras e agricultores, moradores
de 9 subregiões do estado, concluíram o 6º e último módulo do curso, que teve
duração de 1 ano e 9 meses. O curso foi realizado pela Pastoral da Juventude
Rural (PJR) e Rede GPR, em parceria com a Universidade Federal Rural de
Pernambuco (UFRPE) e com o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária
(PRONERA) e obteve apoio e financiamento do Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Ministério da Ciência e
Tecnologia.
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| Rafaela Borges e Uliane Silva |
O curso é dividido em módulos presenciais, chamados de
"tempo escola", que são alternados com as vivências em suas
comunidades e sítios, o "tempo comunidade". No tempo escola os
estudantes passam por formação política e técnica sobre agroecologia, gestão e
economia popular e solidária. As facilitações se deram por meio de articulação
com entidades e movimentos parceiros, como o Centro Agroecológico Sabiá, o
Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), o Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem-Terra (MST) e o Levante Popular da Juventude. A carga horária total
ultrapassa as 680 horas/aula, sendo 240 horas/aula teóricas e 440 horas/aula de
atividades formativas comunitárias.
No tempo comunidade os jovens, com idade entre 15 e 25 anos,
integram os chamados Grupos de Produção e Resistência (GPR), coletivos de
jovens rurais que se organizam para superarem os desafios de produzir,
comercializar e gerar renda, tendo em vista a permanência em suas comunidades.
Os GPRs são constituídos sobre os pilares da agroecologia e da economia popular
e solidária, buscando uma nova forma de produção no meio rural, sem exploração,
garantindo a permanência do jovem no campo, tendo a defesa da terra como um
direito e tendo como horizonte a construção de um Projeto Popular de Nação.
O estudante Rodrigo Silva, um dos formandos, acredita que o
curso contribuiu para os jovens reconhecerem e valorizarem o conhecimento de
seus ancestrais. "A Residência Agrária fortaleceu o conhecimento que nos
foi trazido pelos nossos avós e bisavós, mas também ajudou a aprendermos mais
sobre agroecologia e economia popular e solidária. Também aprendemos muito
sobre políticas públicas para a juventude camponesa", lembrou. Para ele, o
curso tem impacto direto nas suas comunidades rurais. "Quando
compreendemos o que é agroecologia e economia solidária, começamos a colocar em
prática nos nossos GPRs. Além disso há a interação com jovens de outras
localidades, a troca de saberes e sabores, aprendemos que a realidade rural
também é diversa".
A coordenadora nacional da PJR, Simone Zani, afirma que o curso
de Residência Agrária foi fundamental para fortalecer os GPRs no interior do
estado. "Foi um formato que deu muito certo. A pedagogia da alternância,
focando na formação teórica com agroecologia, economia solidária e formação
política, com a coordenação acompanhando o tempo comunidade durante esses quase
dois anos, impulsionou a juventude. Temos GPRs produzindo e vendendo,
conseguindo renda. Outros estão precisando melhorar a comercialização",
diz.
O curso, avalia Zani, faz a juventude enxergar sua comunidade de
outra forma. "Eles passam a enxergar e pensar o campo como um lugar para
se viver, com educação, saúde, moradia, transporte e lazer. Pensam a forma como
se relacionam com a natureza, com o alimento e pensar formas de tirar o
sustento para viver de maneira solidária, não pela competitividade, mas com
cooperação. Não é só a permanência, mas pensar um projeto de sociedade",
pontua.

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